sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

review: som



À primeira vista, o nome soa a foleirada - 'Sound Team' é um nome um tanto ou quanto azeiteiro (e demasiadamente banal e intuitivo) e vem-me à ideia um bando de pessoal de pijamas/fatos-de-treino amarelos ou verdes, a saltitar de braços no ar e a tocar órgão e bateria num ginásio escolar (com chão de madeira e espaldares ao fundo) em ambiente luminoso de 80's. Mas acontece que a associação de ideias é um factor-chave, e isso faz com que o nome da banda signifique aquilo que ela vale para quem a ouve.
Travei conhecimento deste grupo da forma cada vez mais recorrente pela qual encontro novos sons - escrevo no telemóvel o que consigo entender da letra de uma música que ouço e tento descobrir na net de quem se trata, para poder piratear. A música que originou a descoberta deste álbum chama-se "Born To Please" e achei neste som que o vocalista podia quase ser o Ricky Martin (o que, eu sei, não abonaria grandemente em favor), tal a semelhança da voz em alguns momentos da canção. Mas gostei do som e então anotei-o e descobri. E então decidi conhecer o albúm na íntegra - 'porque não?..'


Born To Please é um som dançante e melódico. Tem a alegria de um som de boa qualidade. O som 'catchy' do álbum.
Movie Monster, a faixa que nomeou o álbum, é um ambiente sombrio e nocturno, e introduz um órgão capaz de hipnose.
Tv Torso surge em ritmo rápido, apressado. É uma corrida neurótica a um destino frenético, e de onde surje, dupla vez, um baixo intenso a contrapôr umas guitarradas bem assentes. Final dançante com a pandeireta a mostrar que também tem uma função no mundo da música. É a melhor do álbum.
De Back In Town fica o órgão delico-doce que acompanha parte desta música comum.
Afterglow Years é uma melodiosa composição bem conseguida. Agradável ao ouvido.
You've Never Lived A Day é som para, por instantes, fechar os olhos e levantar os braços no ar em direcção ao firmamento.

No geral, "Movie Monster" [2007] revela-se um álbum curioso mas pouco esclarecido. É uma amálgama de certos bons sons com algumas más ideias (ou vice-versa..). O vocalista torna-se, ao fim de algum tempo, algo cansativo e irritante, acabando por saturar um pouco o ouvinte sensível. No final fica apenas um par de músicas para escutar, de novo, no futuro. Boa tentativa, contudo.


Classificação: 4/10

4 comentários:

Anónimo disse...

classificação insuficiente para um álbum que te faz fechar os olhos e levantar os braços em direcçao ao firmamento...

Anónimo disse...

N.A. - a classificação é dada ao album em globo e nao aos seus momentos (por melhores ou piores que possam ser..) [ou por mais que façam levantar os braços de alguém ou os mantenham inertes]. Abraço!

Anónimo disse...

Caro Cpt, uma duvida me surgiu: um album que produz um espectro tão elevado de estados de espirito (desde a hipnose com um "um ambiente sombrio e nocturno" vs "a corrida neurótica a um destino frenético"), e de sentidos - onde se inclui o paladar - "delico-doce", onde, pela descrição pelo menos seis faixas deste album nos fazem elevar e em certos casos levantar os braços em direcção ao firmamento (?), não será um pouco injusta a classificação de 4 valores em 10? Além de tudo, meu caro CPT, esquece-se da função didactica deste album ao relevar a função da pandeireta no mundo da musica. Não concordo consigo, mas tenho a certeza que com a sua b. me clarificará devidamente. Saudações

cptain disse...

Na altura em que escutei o álbum em questão, os sentimentos que descrevi foram sinceros. São os pontos-chave das músicas – sim, são só 6 músicas dentre as 11 totais da obra - que destaquei. Mas algumas dessas sensações foram tão prazerosas quanto breves. E apesar de existirem de facto, não representam a regra. E não importa quão distintos sentimentos esses momentos possam despertar ou quão ampla é a paleta das sensações que possivelmente brotem da audição do Cd, porquanto não se avalia aqui o espectro de emoções que o álbum contém em si, mas tão-somente a sua qualidade musical como uma obra compósita. Não creio, assim, ser contraproducente classificar com um 4/10 um álbum agradável mas que não deixa na memória mais do que uma parelha de faixas, apesar de conter em si outros momentos positivos.
Espero então, caro DJ VALLTER, ter assim esclarecido essa dúvida que obscurecia, como treva, a sua mente. Qualquer outra questão que aflore no seu espírito e turve a sua visão - de tal ordem que o leve a seguir o caminho traiçoeiro para a Babilónia, em detrimento de o conduzir para a libertação em Zion – não terei senão a b. necessária para o conduzir à salvação.

Ps. Da pandeireta há que referir que o seu contributo foi devidamente reconhecido, mas a classificação é do álbum e não da ‘performance’ da pandeireta no mesmo. Claro que não seria má ideia botar, de futuro, junto com a classificação geral, uma outra que avaliasse o desempenho da pandeireta no conjunto da composição musical. Mas, caro amigo, em sacras palavras, nem só da pandeireta vive a música. Abraço!